9 de novembro de 2006


AUTO DA FÉ

Como português interessado em livros não quero ficar de fora da nova moda literária. Nem pensar! Lançada recentemente, a moda do escrutinar livros de sucesso à procura de falhas ou repetições está em alta. Gente que não seria capaz de descrever literariamente um burro, se tivesse um espelho, passa agora os dias de lupa em punho à procura do erro. Esta moda, da crítica light, nascida do anonimato dos blogues é na verdade a manifestação simples de uma característica nacional: a pseudo-delação pelos medíocres. Quem estudou a história da perseguição aos judeus em Portugal sabe o que aconteceu a milhares de pessoas, cercadas de gente desta. Acusando disto ou daquilo, apossavam-se depois estes abutres dos despojos do supliciado. Aqui, nem isso. Quanto muito o prazer da lama.
Agora é com repetições e plágios.
Se ser português é ser iníquo, também não quero ficar de fora. Por isso, aproveito já para denunciar um caso complicado em que VÁRIAS pessoas se plagiaram. Os nomes dos miseráveis são (os que consegui apurar): São Mateus, São Joã0 e São Marcos. A história é IGUALZINHA: um tipo que nasce num estábulo e que morre na cruz. Até o nome é o mesmo! Por favor, se alguém puder escrever artigos eruditos ou promover conferências sobre o tema, seria da maior utilidade.

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